Artigo - Dia de São José

O século XX teve grandes santos que nutriram um grande amor por São José. Entre eles, destaca-se um grande escritor místico: São Justino Maria da Santíssima Trinidade Russolillo (1891- 1955), fundador da Família Vocacionista.

A sagrada Família é importantíssima na espiritualidade vocacionista. Basta pensar que a Saudação dada por São Justino Maria aos seus filhos e filhas é “Jesus, Maria e José”.

No “Libro dell´Anima”, no qual ele registra sua profunda vida mística, podemos ver como o próprio Deus o conduziu a esta vida de intimidade com a Sagrada Família.

Em 10 de janeiro de 1937, assim escreve: “Fui com a imaginação e com sentido interior mantido como fora da casa da santa Família, esperando ser chamado para dentro. E fora rezei o breviário, os rosários, esperando entrar. Encontrei a casa. Preciso de uma casa, da minha casa. Eis, a casa de Nazaré me atrai, é a única em que há a vida, em que há a mãe, em que há o esposo, em que há o pai. Ó, abri-me, por caridade! Esta da minha santa Família me parece algo da minha epifania deste ano”.

Em 09 de junho de 1938, anota: “Pertenço e me uno mais intimamente a Jesus quando o faço e estou por meio de Maria Santíssima do que se fosse ou fizesse diretamente. Assim à Santíssima Trindade estou mais unido por meio da santa Família que se quisesse me unir diretamente”.

Na vigília de Natal de 1938, experimenta profunda união a São José: “Uma nova celestial estima e união por São José. No seu espírito, com a sua ação devo levar os fiéis a viver na santa Família. Aleluia!”

Seguindo a inspiração de São Luís de Montfort, São Justino Maria compreende um chamado mais amplo, na sua humildade quer ser a escravidão de amor à Santa Família.

No mesmo Diário, em 21 de fevereiro de 1944, assim escreve: “Consagração definitiva como escravo de amor de São José, de Maria Santíssima, de Jesus e efetiva entrada na santa Família. Hosana”.

A profundidade de sua doutrina espiritual brilha sobretudo nas orações deixada por ele aos seus filhos e filhas.

Homem de profunda oração, cada uma delas além do estilo poético está repleta de profundidade teológica. Com São José, devemos entrar na intimidade da Família de Nazaré.

No “Ato de devoção a São José”, assim São Justino Maria se dirige a ele: “Venho diretamente bater à porta da vossa oficina de ferreiro nazareno, todo consagrado ao divino trabalho da santificação das almas, para alimentar e fazer crescer a mística cabeça, que é Jesus, Verbo encarnado na vossa virgem esposa imaculada”.

A Oficina nazarena é a escola de autêntica de santidade e, portanto, São José é mestre de vida interior. Na mesma oração, posteriormente, ele assim escreve: “Colocai-me entre os vossos aprendizes e discípulos para que aprenda e exercite a arte divina da santidade, à vossa escola e na companhia e imitação do divino adolescente Jesus Cristo. Me ofereço todo bem-disposto ao vosso trabalho, ao vosso sistema, aos vossos instrumentos, no escondimento e no silêncio, no recolhimento e na laboriosidade, no arroubo de amor de Jesus e Maria”.

Segue ele agora, implorando a São José que seja admitido na Casa de Nazaré. Vemos claramente que sua oração brota da sua vida mística. Diz ele: “Venho bater diretamente à vossa pobre casa de Nazaré, toda consagrada ao amor de Maria e de Jesus, suplicando-vos que me recebais como vosso servo, como vosso escravo de amor perpetuamente. Quero pertencer à vossa família não somente na tranquilidade de Nazaré, mas também na perseguição de Herodes, no exílio do Egito, nas peregrinações ao Templo, na dor da perda e procura angustiante por Jesus”.

A família de Nazaré é nossa família e São José é nosso formador. Diz ele: “Agora, meu São José, trabalhai-me e formai-me segundo Jesus, vosso divino exemplar; e, então, unir-me-ás a vós no cuidado da Sagrada Família, rediviva nas famílias religiosas, nas comunidades cristãs e nos eleitos das vocações divinas”.

A devoção a São José é, portanto, um autêntico caminho de santidade.